Marcos Silva

Marcos Silva

Existem vários esportes olímpicos muito interessantes, que exigem habilidade, força, velocidade, mas principalmente determinação e treinamento.


Um particularmente interessante é aquele em que são usados barcos a vela.
Os barcos navegam usando enormes velas de material leve, que são submetidas à ação dos ventos.
O problema é que nem sempre os ventos são a favor e é aí que entra a habilidade dos velejadores, para velejar contra o vento e mesmo assim alcançarem seu objetivo.
É incrível, o vento sopra contra, mas o barco anda para a frente.

Hoje em dia vivemos num tempo em que, cada vez mais, a sociedade e a cultura colocam em questão conceitos já solidificados, tradicionalmente aceitos e que há décadas, séculos e milênios haviam sido consolidados.
Sobretudo os conceitos do Reino de Deus.
Jesus também, na época em que viveu aqui na terra, encontrou costumes religiosos enraizados na cultura judaica.
Além disso os romanos com sua dominação trouxeram seus costumes impondo-os sobre os povos que conquistavam.
A não ser em relação aos escribas, fariseus e doutores da lei, Jesus não confrontou diretamente os costumes da cultura local.
Ele não precisou.

Ele estava implantando o Reino dos Céus, o que por si só já confrontaria toda cultura secular do passado, do presente e do futuro.
Tudo o que Jesus falou sobre o Reino de Deus é exatamente o contrário do que a mente humana imagina.
Começa no livro de João capítulo 3, numa antológica conversa com Nicodemos, dizendo que ele precisava nascer de novo.
A confusão mental foi imediata.
E persiste até hoje.
Nós nascemos e crescemos sendo envoltos pelos costumes e cultura vigentes, adotando práticas e modos de agir que se amoldem ao nosso contexto cultural.
Vem então Jesus e diz: 

“…necessário é nascer de novo…” João 3:7

Pare tudo.
Vire para o lado oposto.
É necessário, é vital.

Assim, Jesus estabelece que o Reino de Deus é contracultural, sempre o inverso das imaginações humanas, pois o coração do homem é e sempre será enganoso.
Num outro evento Jesus declara outra inversão: 

“…quem achar a sua vida vai perdê-la…” Mt. 10:39.

Nosso mundo cultural diz que temos que crescer, conquistar, empreender, sermos conhecidos, enriquecer, etc.
Jesus vem nos dizer que tudo isso será perda, se não fizermos por Ele e pelo Reino de Deus.
Se alcançarmos os maiores postos e as maiores riquezas deixando Jesus e o Reino de Deus de lado, na verdade será a maior perda de nossa existência presente e futura.
Isso é totalmente contracultural.

Em outra parte Jesus afirma que: 

“…mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita…” Mateus 6:3

Atualmente, talvez essa seja a afirmação mais contracultural que Jesus fez.
Os sistemas de publicidade, as mídias sociais, a maneira que a vida é encarada hoje como bem sucedida, diz que temos que mostrar nossas qualidades, exaltar nossos pontos fortes e repetidamente mostrá-los onde mais eles possam ser vistos.
Qualquer obra que você faz, e acha que faz bem feita, seja uma receita, uma música, um texto, uma palestra, um negócio bem sucedido, uma visita a um doente, uma doação a um idoso ou necessitado, tem que ser mostrada para que muitos a vejam.
Há o desejo da fama, sede por curtidas, ânsia por visualizações.
Quanto mais melhor, mil, dez mil, cem mil, um milhão, não há limite.
Jesus diz que quando fazemos assim, já recebemos o nosso galardão.
Isso é o contrário do Reino de Deus.

Por isso sua luz amarela de atenção deve acender quando você percebe que é muito aceito por todos e todos concordam sempre com você.
Pode ser um sinal de que está se deixando levar pela correnteza.
O Reino de Deus não é assim.
Perceba que ser cristão é navegar com seu barquinho à vela, impulsionado e direcionado pelo vento do Espírito Santo João 3:8; e mesmo que o vento seja contrário, o cristão manobra suas velas e reverte o vento a seu favor, prosseguindo: 

“…para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus…” Filipenses 3:14.

Algumas mensagens podem mudar sua vida. Outras podem mudar sua eternidade.